Categoria: Marcos Monteiro

  • A cidade soterrada de cinzas

    A cidade soterrada de cinzas

    Marcos Monteiro

    Quarta feira de cinzas, a cidade
    Com o Rei Momo deposto
    E os súditos, indispostos,

    Já voltaram pras moradas.
    A multidão está triste
    E não espera por nada.

    O amor não mais existe
    Nem existe a batucada
    Mas um folião insiste
    Em dançar de madrugada.

    Maceió, 17 de fevereiro de 2026.

  • Setenta e quatro anos

    Setenta e quatro anos

    Marcos Monteiro

    Foi na esquina da Ipiranga com a Avenida São João que me apaixonei por mim mesmo.

    Já estava apaixonado por minha amada, pela vida, por Deus, e já era tempo, mas não estava pronto.

    O amor nunca está pronto para o amor.

    Convidei-me pra um show de Lô Borges e Milton Nascimento no Clube da Esquina e dançamos juntos pela primeira vez e declarei eu te amo!

    Eu pareci surpreso.

    Sempre me persegui e fugi de mim mesmo.

    Lembrei do primeiro beijo, da primeira vez que me declarei à minha amada e do primeiro beijo em Deus.

    Depois um vazio no coração, do tamanho de mim mesmo.

    Quando passo sorrindo pela ponte Buarque de Macedo e tenho medo, me chamam de louco.

    Mais louco é quem me diz que não é feliz.

    Somos um nó para todas as direções inclusive para o infinito.

    No Riacho Ipiranga, festa de 15 anos de amor.

    Meu coração dispara quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João.

    Porque somos o avesso do avesso do avesso do avesso do avesso.

    Mais louco é quem me diz que não é feliz.

    Eu sou feliz!

    Maceió, 16 de fevereiro de 2026.

  • O preço da verdade

    O preço da verdade

    Marcos Monteiro

    Nas primeiras comunidades,
    A situação era complexa.
    Considerando que é lógico
    Ser a mentira um fator
    Que traz desagregação,

    Quem não mentiu numa ação
    Ou ocultou a verdade?
    Talvez a necessidade de firmar a comunhão.

    Mas Safira não sabendo
    Que Ananias confessou,
    Toda a treta confirmou

    E Pedro, usando da autoridade
    A Safira expulsou, dez quilos de crueldade.
    Safira foi exilada por não saber da verdade.

    Maceió, 12 de fevereiro de 2026.