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Rodar na roda gigante
Marcos Monteiro Tropecei num pedaço de saudade,Saí na roda gigantePelas nuvens. Vestes elegantes, cobriam a nudez da cidade E eu ensaiei com voz vibrante,A canção da liberdadeQue ecoou sem falsidade Nos corações hesitantes.E o passo do caminhante,Dores gritos que me invadem,Faz-me espraiar Saltitante,O pó da felicidade. Maceió, 21 de março de 2026.
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Os Neandertais se amavam
Marcos Monteiro No tempo das cavernasOs Neandertais se banhavam na chuva e se amavam.Eram queimados do sol e se amavam.Abrigavam a fé na caverna e se amavam.Arrastava sua mulher pelos cabelos e se amavam.De tacape caçavam os bichos e se amavam.Enterravam os seus mortos e se amavam.Adoravam o infinito e se amavam.Enfeitavam seus cabelos e…
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Nada vezes nada
Marcos Monteiro Do nada brotou o céu,Do nada apareceu pão.O nada por compaixãoDe quem só provou do fel, Plantou jardins de emoção,Canteiros em profusão.Fez tudo a gosto do mel, Café com paz e paixão,Cujo esboço no papelÉ dum joelho em oração. Gn 1.1 Maceió, 22 de março de 2026.
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Expandindo os horizontes
Marcos Monteiro Javé construiu uma cabanaPra contemplar horizontes.Nas cachoeiras e nos montes,Ou mesmo nas partes planas. O Criador não se enganaQuer que sejamos as pontesA ligar todos os pontosComo um cacho de banana. A esperança é a decanaDos vales que imaginou.Raiz, caule, folha e florSe espalhando na savana. O céu e a terra declamamO poema…
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Incerteza, Incompletude, Inconclusão
Marcos Monteiro Não quero a incerteza da justiçaE nem aincompletude da visão. Quero ter o direito da preguiça,Do ócio criativo, da malícia,Caminhando pela imprecisão. Prefiro o descompasso, a indecisãoDe viver em um mundo sem divisas,Com a regra do amor, da desrazao. Maceió, 03 de março de 2026.
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Os pobres sempre o tendes convosco
Marcos Monteiro Para os pobres demora o prontuário.Pobres perambulam pelas ruasE mostram suas chagas nuas, cruas,Como as chagas de Cristo no calvário. Somos Herodes, Pilatos, emissários,Da injustiça. O pobre para nós é réu primário,Detrás das grades da dor e da agonia. Pára nós, os seus gritos são poesia,Motivo de chacota, que avariaO que lhes resta…
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Jesus subiu o monte e viu a dor
Marcos Monteiro De cima do monte, a arte da vida se apaga,Abre-se a cortinaE o Império do mal que afagaCom uma mão, e com a outra assassina, Rasga o ventre da mãe da menina.É de sangue, o rio que deságua,No oceano de intriga e de mágoa. Ninguém pode mudar sua sina,Mas a paz de um…
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A mandala das cores
Marcos Monteiro O amarelo do meu dia esverdeouE a sombra da poesia ao entrarPela janela me pediaAlgum gole do nectar do amor. O sol da minha vida se esmerouEm brilhar para o azul da alegriaE uma gota de verde se espalhou. E todos arco-íris que existiamChoveram sobre a morte e sobre a dor,As cores da…
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Tempo de plantar
Marcos Monteiro Não se tem tempo pra nadaMas se tem tempo pra tudo.É do tempo que contudoVivemos nossa jornada. Tempo que faz caminhada.Que nos guia pro futuro.Umas vezes sem futuroOutras sábio, abençoado. O tempo escorre por furos,Derrubando de enxurrada,Casarões, pedras e muros, Planta a paz, de bom algúrio,Faz promessas infundadasDe ouro e pedras lapidadas. Maceió,…
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CONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO DE PARAÍSOS
Reflexões a partir do romance deAntônio Callado. Quarup. I e II. Rio de Janeiro: Record, 1984. Marcos Monteiro Podemos atribuir uma estrutura concêntrica ao romance “Quarup”, de Antônio Callado, onde a ORQUÍDEA ocupa o centro a partir do qual tudo o mais se irradia. “A ORQUÍDEA” é exatamente o título do capítulo central do livro…
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O homem bala
Marcos Monteiro O ventilador de casa tinha dez velocidades e era grande o suficiente para Eisenstein testar sua última invenção. Fez uma bala bem confortável, colocou-se em posição, apertou o botão do controle remoto e foi arremessado a 300 metros em uma poça de lama. A experiência foi um sucesso, só precisa consertar o trem…
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Tempo de recordar
Marcos Monteiro Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar.Eclesiastes 3,7. É tempo de fuxico. JuntarOs remendos numa colchade retalhosE costurar a história, plena de atos falhos.Com cuidado, rabiscar Mil projetos, mil atalhos,Trilhas, sonhos de voltar,Desejos de recordar Tempos de flores nos galhos,De passaredo a cantarCantigas sem intervalos.…
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CARTA ABERTA AO PADRE JÚLIO LANCELOTTI E À SOCIEDADE BRASILEIRA
A Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS) torna pública esta Carta Aberta para manifestar seu apoio irrestrito, reconhecimento e profunda solidariedade ao Padre Júlio Lancelotti, cuja trajetória é marcada pela defesa incondicional da vida, da dignidade humana e dos direitos da População em Situação de Rua e de outros…
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Dissonâncias linguísticas
Marcos Monteiro Estavam conversando sobre emoções. Você está sempre tranquila, Mauritinha. A vida é uma panela de pressão e tenho medo quando a sua explodir. Eu descarrego num texto cheio de dissonâncias ortográficas. O meu romance tem final infeliz, a heroína é uma paladina da norma culta. Foi assassinada quando descobriram incongruências, políticas, econômicas e…
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No coração do homem há um tempo
Marcos Monteiro Dentro do tempo há um tempoFeito no tempo de Deus.Que Deus entregou ao ventoPara soprar ao relento E alcançar todo o céu,Fazendo da brisa um templo,Rodando no catavento. Mas no coração da genteColocou o nada dentroLonge do tempo e de Deus. Ec.3,11. Maceió 27 de fevereiro de 2026.
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Coração de eterno verde
Marcos Monteiro O coração veste verdeSe deseja esperançar,Limites a ultrapassar.Grãos de trigo não se perdem, Mesmo jogados no mar.A fé logo joga a redeColhe o peixe pra levar Uma esperança pra casa,Um desejo de espicharA fé, o amor e o avental De quem se queima na brasa.Pois liberdade são asasPra quem sempre quer voar. Maceió,…
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A seguir seus descaminhos
Eduardo JorgeMarcos Monteiro Nessa poesia, o poeta, por teimosia ou por vícioDispensa os seus compromissosE parte pro ideal. E no ideal ele encontra a realidade de um sonho,Porém se torna enfadonho,Pois aos grandes desaponta. Sonhou só, independenteDe garra e tranquilidade.E a ninguém quis obrigarA seguir seus descaminhos,A lutar quase sozinhoPela paz que já não há.…
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Milhões, grilhões, gritando o grito do dia
Marcos Monteiro Milhões, milhões gritando o grito do dia,Cadeia cheia chora agora de alegria. Com uma bomba, na Palestina,Uma criançacorria,Na contramão de suaCadeia cheia chora agora de alegria. Tudo mudando,Refazendo a geografia, rescendendo a utopia,Cadeia cheia, chora agora de alegria. No novo céu, o arco-íris vivia,A dor desapareciaE a nova terra sorria.Cadeia cheia chora agora…
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O lugar dos sonhos
Marcos Monteiro Quando a noite está com raiva e quer destruir os meus sonhos, eu me refugio nos seus braços e adormeço. Cada abraço é diferente. O sonho é o mistério do abraço em liberdade. Tem manhãs que acordo com o mesmo abraço da noite. Corpos sonhando juntos. Algumas noites sonho, acordo e beijo os…





