Pácifer Maia Sabiá
Quando a caminhada de um movimento, de uma instituição rompe com a pretensa construção interpretativa ascética dos espaços, relações e práticas sociais – em que alça seus membros e representantes como personalidades alheias à problematização ética dos determinantes sociais e à condição que temos em não sermos determinados, mas condicionados -, estamos diante da desconstrução da maquiagem política.
Quando não nos implicamos no diálogo institucional e aprendemos a nos relativizar quanto a nossa capacidade de construção de compromisso social, só nos resta o heroísmo descolado da complexa estrutura da realidade.
Ultrapassar a velocidade da luz sem saber que a energia dialoga com o vácuo, algo que não se apresenta no imediato das relações, é não levar em conta as inúmeras formas de produção de sentido que nos atravessam e acabam por denunciar nossa tentativa de alçar vôo sem levar em conta que a ventania dialoga com a concretude do chão.
A concretude respeita o vácuo, dialoga com o vácuo que nos atravessa a todos. Relações não dialéticas é coisa de céu sem chão. A prescrição na comunicação é o que produz e mata o santo. Não surpreende que pastores não tenham curado os soluços de Bolsonaro. Não é surpreendente que exista uma psicologia que não se assuma ético-política histórico-culturalmente.
Dez. 29/2025
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