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  • O vácuo psicopolítico e a concretude

    O vácuo psicopolítico e a concretude

    Pácifer Maia Sabiá

    Quando a caminhada de um movimento, de uma instituição rompe com a pretensa construção interpretativa ascética dos espaços, relações e práticas sociais – em que alça seus membros e representantes como personalidades alheias à problematização ética dos determinantes sociais e à condição que temos em não sermos determinados, mas condicionados -, estamos diante da desconstrução da maquiagem política.

    Quando não nos implicamos no diálogo institucional e aprendemos a nos relativizar quanto a nossa capacidade de construção de compromisso social, só nos resta o heroísmo descolado da complexa estrutura da realidade.

    Ultrapassar a velocidade da luz sem saber que a energia dialoga com o vácuo, algo que não se apresenta no imediato das relações, é não levar em conta as inúmeras formas de produção de sentido que nos atravessam e acabam por denunciar nossa tentativa de alçar vôo sem levar em conta que a ventania dialoga com a concretude do chão.

    A concretude respeita o vácuo, dialoga com o vácuo que nos atravessa a todos. Relações não dialéticas é coisa de céu sem chão. A prescrição na comunicação é o que produz e mata o santo. Não surpreende que pastores não tenham curado os soluços de Bolsonaro. Não é surpreendente que exista uma psicologia que não se assuma ético-política histórico-culturalmente.

    Dez. 29/2025

    Texto 356 no Instagram pacifermaia

    FB Pácifer Maia Sabiá

  • O inferno e o fundo do poço

    O inferno e o fundo do poço

    Pácifer Maia Sabiá

    De onde vem o ódio ocidental? A angústia que paralisa de medo centenas de milhões no Ocidente. Por que esse filtro ideológico gigantesco, no qual maiorias caem no fogo do inferno da concretude cotidiana e privilegiados capitalistas conquistam a felicidade eterna?

    De onde vem essa divisão de classes tão coisificante do social? Que trava a construção de zonas de inteligibilidade a partir das maiorias, seccionadas em identidades-substâncias minoritárias.

    Quais as relações invisibilizadoras das interações entre ódio social, certos valores morais que corrompem o exercício ético-político e o aparato de classe que sustenta nossa visão imperialista de mundo?

    Que acordo tácito foi realizado entre o céu e a terra, sempre visibilizado pela violência imperialista dos deuses ocidentais? Deuses de toda ordem. Deuses que fazem continentes de quintais, numa indústria cultural alicerçada desde capitães do mato a mandatários de latifúndios digitais.

    É lógico que isso só poderia apontar para uma visão apocalíptica mastigada cotidianamente!

    Que não tenhamos de confrontar situações hospitalares negligenciadas por concepções espirituais abraçadas, inclusive, por integrantes de seus extratos de formação médica.

    Por onde anda uma psicologia, uma assistência social que não encara a violência de concepções religiosas que invadem nossas instituições, calçadas pelos tais valores morais invasivos e imperialistas?

    A realidade é multicêntrica, mas precisa ser pensada por categorias de totalidade, a caminho de uma epistemologia social.

    Necessitamos de nossa própria engenharia de projetamento social, que possa nos tencionar entre os coletivos e a singularidade, para o enfrentamento do fascismo de cada dia.

    Jan. 04/2026

    Texto 357 no Instagram

    FB Pácifer Maia Sabiá

  • Finalmente preso

    Finalmente preso

    Edivar Gimenes

    Bem, tenho consciência da historicidade desta data.

    Durante quatros, diariamente quando orávamos antes das refeições, repetíamos uma frase: “Deus, livra-nos deste louco que está à frente do país”‘. Tenha certeza: não era por ideologia. Tenho minha cosmovisão, luto por ela, mas respeito e convivo com quem pensa diferente. A questão era de saúde social.

    O deboche com a dor alheia, o cinismo, o desrespeito com as minorias, o abuso político da religião, a hipocrisia permanente, a falta de empatia e compaixão, o desrespeito com as instituições, enfim, me incomodavam profundamente. Incomodavam Infinitamente mais do que as ideias que sustentam conceitos como direita e esquerda, até porque, no meu ponto de vista, ele não se enquadra no conceito direita, mas no conceito oportunismo patrimonialista.

    Sei, repito, que há quem gosta dele exatamente por ser assim. Sei que, para quem gosta dele por ser assim, não adianta reflexão de qualquer natureza. Nem quero, nessa minha fala, convencer ninguém de nada. Apenas quero dizer que foi um alívio imenso conseguir vê-lo fora da presidência, tanto quanto agora, fora do convívio social.

    Anos na prisão não têm poder de.mudar uma pessoa, até porque no sistema brasileiro não há um projeto politico-pedagógico de recuperação dos presidiários. Apenas o isolamento e, em alguns casos, uma escola de especialização em crimes. Mas desejo  que ele se renda ao verdadeiro espírito de Deus e se liberte do  uso “em vão” do seu nome, como fez em suas campanhas políticas.

    Hoje é dia de gratidão.

  • Feliz 2026 (Atrasado)

    Feliz 2026 (Atrasado)

    Sérgio Dusilek

    “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” (Jer. 29.11)

    Quando a expectativa nos convida a esperar algo melhor e a virada a deixar o que passou para trás, o que um profeta chorão de mais de dois milênios atrás pode nos dizer ao ponto de encher o nosso coração com esperança de novos e melhores dias?

    Estamos falando da Carta de Jeremias, que foi recebida pelo povo cativo na Babilônia. Eles não queriam estar lá. Alguns, inclusive, rejeitavam a realidade e a interação com este novo momento de vida.

    Assim como eles, por vezes somos achados onde não queríamos estar. Isto tem a ver com geografia, mas também com estado emocional e com realização. A recomendação divina, na Carta de Jeremias (cap.29), não endossa a estagnação. Antes, é um convite à normalidade da vida: construam casas, se instalem nesse local que vocês desprezam; ajudem a manter e construir a ambiência socioeconômica, isto é, a buscar a prosperidade da cidade.

    Não fique estagnado em 2026. Construa; seja socialmente útil (e não fútil).

    A Carta tem algo melhor. O mesmo Deus que tem planos de paz é o que se dispõe a nos ouvir, a ser encontrado. Isto é especialmente importante em tempos em que perdemos a direção. Se em 2026  alguma neblina aparecer no seu trajeto de vida, lembre-se do que Ele afirma: “Eu me deixarei ser encontrado por vocês” (Jer.29.14a). Aquele que era encontrado em meio à fumaça do incenso no Santo dos Santos, segue tangível a nós em meio às névoas da vida.

    Que 2026 traga para sua vida os planos de Deus, os quais vêm embalados com esperança, paz e prosperidade.

    Feliz e abençoado 2026!