Pela Cruviana levantados do chão

shallow focus of white dandelion

Marcos Monteiro

Como sementes de manga, fomos levantados do chão para que não se extingam horizontes.

Não chegou o outono, mas a fúria do Vento Norte destruiu as árvores e é hora das aves migrarem para o nada.

Lá o tempo parou e as ondas agitam o meu coração.

Os meus sonhos singram o oceano ártico e minha voz congela.

Quando a Cruviana sopra, eu me seguro em qualquer arbusto.

Tenho medo de voar e ser levado para praias desconhecidas.

A Cruviana é vento que arrebenta ilusões.

Mistério de mulher com nome próprio que sai rompendo barragens, derrubando palácios e transformando o passado em cacos.

Mulher que me enreda, se enrosca no meu corpo e me levanta para ver verdes impossíveis.

A Cruviana é Vento, impossível de ser domesticado, Espiral de Tormenta para os donos do chão, mas Brisa de Espuma para os que se encostam, como crianças famintas de justiça.

Maceió, 21 de março de 2026.

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